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COSECHA BRASILEÑA EN ESPAÑOL Y ÚLTIMO LIBRO DEL PORTUGUÉS ANTÓNIO SALVADO. XVIII ENCUENTRO DE POETAS IBEROAMERICANOS. DÍA 8 DE OCTUBRE DE 2015, CENTRO DE ESTUDIOS BRASILEÑOS DE LA UNIVERSIDAD DE SALAMANCA. REPORTAJE FOTOGRÁFICO DE JACQUELINE ALENCAR

 

1 Autores de los libros, traductores y presentadoresAutores de los libros, traductores y presentadores

Crear en Salamanca publica en exclusiva un reportaje fotográfico de la intensa jornada de presentación y lectura de cuatro libros bilingües escritos por poetas brasileños. También del último poemario del notable poeta lusitano António Salvado. Se realizó la tarde del día 8 en el CEBUSAL. En los próximos días publicaremos las fotografías de los demás actos complementarios celebrados tanto en Salamanca como en Zamora.

 

1A COSECHA BRASILEÑA EN ESPAÑOLCOSECHA BRASILEÑA EN ESPAÑOL

1B Cartel MAIS UMA VEZ AS AVESCartel MAIS UMA VEZ AS AVES

 

2 Rizolete Fernandes, Alfredo Pérez Alencart y David de Medeiros LeiteRizolete Fernandes, Alfredo Pérez Alencart y David de Medeiros Leite

 

PRESENTACIÓN DE ‘RUMINAR / RUMIAR’
(SARAU DAS LETRAS/ TRILCE EDICIONES,
RIO GRANDE DO NORTE, 2015)
DE DAVID DE MEDEIROS LEITE.

Traducción y prólogo de Alfredo Pérez Alencart

Intervinieron Rizolete Fernandes (Brasil), Alfredo Pérez Alencart y el autor del libro

 

 

3 David de Medeiros Leite David de Medeiros Leite

 

PALABRAS DE RIZOLETE FERNANDES

 

 

O escritor e poeta David de Medeiros Leite está de livro novo na praça. Intitulado Ruminar, reúne vinte e dois poemas, que versam sobre o meio rural, tendo como personagens o gado e o vaqueiro, figuras familiares nos sertões do Nordeste brasileiro. O diferente nesta obra é que, no desenvolvimento do tema, o autor dotou de voz tanto vaqueiro quanto animais.
Assim sendo, na primeira parte, bois e vacas fazem digressões e análises sobre sua explorada condição de propriedade do homem. Ora se preocupam com o futuro das suas crias, ora com o ferro em brasa que em sua pele identificará seus donos. A vaca (ou o boi) diz a que veio, já no poema inicial, que intitula o livro – Ruminar:
O alimento é pretexto
para triturarmos aflições
maturarmos pensamentos
mastigarmos ilusões.

Mais adiante, o boi, face à tortura do ferro em brasa, se interroga, atônito, no poema A ferro e fogo:
Por que
nos marcam
a ferro e fogo?


Por que o afã
se já nos tem
cativos?
Por outro lado, esse mesmo gado perplexo, tem momentos de regozijo, na liberdade relativa da vida na pradaria, senão vejamos o que atesta uma rês, em Luar:

É privilégio nosso
contemplar a lua
tão despudoradamente


Em noites redondas,
plenas na própria quietude
ao luar ruminamos.

Já na segunda parte, é o vaqueiro que toma a palavra para discorrer sobre a relação com os animais aos seus cuidados. Mas atenção, porque aqui não se trata de uma relação usual do binômio homem/animal, vaqueiro/gado, porém de uma relação humanizada, como explícito em vários poemas, entre eles, Sujeitos (ruminam), em que elege a vaca Estrela para confidente; ou em Contraste, no qual tematiza uma festa no alpendre da casa, com dança e cantoria, mas com a qual pouco interage, posto que o pensamento está noutro lugar, ali nos arredores:

Em meio a tanta algaravia
olho para o estábulo
e tudo é calmaria…

Animais (irracionais) falantes/pensantes, é um recurso utilizado por escritores e pensadores desde a antiguidade, como bem frisou o Professor e poeta Alfredo Pérez de Alencart, no excelente prefácio ao livro, recurso este que, alhures, como aqui, tem pontuado a história da literatura. O narrador do conto Kholstomier (1885), do grande Liev Tolstói, é um cavalo.
O que o autor mossoroense faz, pois, é reviver e atualizar a prática, com estilo e eficiência. Seus animais se angustiam, sentem alegria, são vaidosos, invejosos, têm preocupação com o futuro de suas crias e seus amiguinhos, os filhos do vaqueiro, enquanto este com eles se relaciona como de humano para humano.
Atribuindo voz e sentimento ao gado, David Leite acabou por escrever um livro a um tempo criativo, bonito, enternecedor e que induz à reflexão. Variantes que, certamente, farão a diferença no mar de poesia que banha o Rio Grande do Norte, Brasil.

 

4 Alfredo Pérez AlencartAlfredo Pérez Alencart

 

5 Rizolete FernandesRizolete Fernandes

 

 6 Alencart y LeiteAlencart y Leite

7 Leite en un momento de su lecturaDavid de Medeiros Leite

 

 

8 Fernandes, Alencart y Leite (Foro de José Amador Martín) Fernandes, Alencart y Leite

 
PRESENTACIÓN DE ‘LIVRO DE LOUVOR / LIBRO DE HOMENAJE’ (SARAU / TRILCE, 2015), DE PAULO DE TARSO
CORREIA DE MELO

Traducción y prólogo de Alfredo Pérez Alencart

Intervinieron Maria do Sameiro Barroso (Portugal), Alfredo Pérez Alencart y el autor del libro

 

9 Maria do Sameiro Barroso, Alfredo Pérez Alencart y Paulo de Tarso Correia de Melo (Foto de José Amador Martín)Maria do Sameiro Barroso, Alfredo Pérez Alencart y Paulo de Tarso Correia de Melo

10 Paulo de Tarso Correia de Melo (foto de José Amador Martín)Paulo de Tarso Correia de Melo

 

11 María do Sameiro Barroso María do Sameiro Barroso

 

PALABRAS DE MARIA DO SAMEIRO BARROSO

 

 

Cabe-me a o prazer e a honra de dedicar algumas palavras ao último livro de Paulo de Tarso Correia de Melo, poeta, ensaísta, ficcinista e professor universitário, nascido em Natal, Rio Grande do Norte.

Embora conheça apenas dois livros de poesia deste notável autor, o Diário de Natal (Sarau das Letras Editora Ltda, 2013) e a obra que agora se apresenta, Livro de Louvor, em edição bilingue da Editora Sarau das Letras e Trilce Ediciones, com uma excelente introdução e tradução para castelhano do poeta Alfredo Pérez de Alencart, Paulo de Tarso Correa de Melo é um dos poetas brasileiros contemporâneos que mais aprecio pelo fulgor lapidar da sua escrita densa e límpida, profunda e reflexiva, cósmica e musical.

Pela sua palavra, a lucidez é espessa como a dor que escorre cega, aprisionada, amiga do escuro. É ela que dá a mão aos Anjos, à chama da Eternidade e à liberdade criativa que se acende desde os primeiros versos. Nele vibram o diálogo recriado com figuras míticas da transcendência, da harmonia, da luz e das suas criações, moldadas nas raízes fundas do transe e da desordem.

O libro é dedicado à memória de Teresa de Cepeda y Ahumada (Santa Teresa de Ávila) 1515-1582 que dedine como “Ibérica de ancestralidade judaica. Católico-romana, da qual cita o fragmento “…mi gloria sea la cruz.», Emily Elizabeth (Dickinson) 1830-1886, que define como americana, e luterana reformada, “Outra “Imperatriz do cálvário”, Ana Cristina 1967-1996, cedo arrebatada ao mundo e Marize Castro pelo amor a Emily. São figuras femininas, cuja voz abarca a imensidão dos seres e a vastidão do mundo, acedido na sua plenitude transcendente. Veja-se a última estrofe do poema “Janela de Armherst”:

“Somos cérebro
– massa movente e fina.
A calote craniana
É a muralha da China.” (p. 16).

Nele ecoam versos de Emily Dickinson:
I never saw a moor,
I never saw the sea;
Yet know I how the heather looks
And what a wave must be.
I never spoke with God,
Nor visited in heaven;
(Nunca vi um pântano
Nunca vi o mar;
Mas sei como é a urze
E como será uma onda.
Nunca falei com Deus,
Nem visitei o céu)

O livro constrói-se, efectivamente, num diálogo vivo com Emily Dickinson, cuja figura escolheu para a capa. A sua relação com esta figura e com a grande poesia resgatada ao tempo merece um estudo mais aprofundado que o espaço desta nota introdutória não permite.

Noutro poema, a palavra prefigura o horizonte mais vasto que projecta os fulgores ateados na juventude:

“Juventude
é coisa
que passeia colinas

trespassadas
de brisas
de oriente
incendiadas

Experiência
fecha
em casa

mais vastos
jardins
as palavras
(p. 22)

O poema constitui-se, assim, como base ontológica essencial na sua criação poética. Os seus poemas recortam-se no perfil trágico dos dias das mulheres que evoca. Os dias sucedem-se entre prece e louvor, restabelecendo as pontes da dor interrompida que se dilui em abelhas, borboletas, murmúrios de água e mel, em reflexos de morte e vida, iluminada numa cadência límpida e perfeita de versos precisos. A eternidade é um vislumbre, um eco recorrente, quase omnipresente, que articula a ligação entre a vida e a morte, como duas faces da mesma moeda, tal como expressa no poema:

“Ao meio-dia
alguém
sempre
morria

numa casa
vizinha
A abelha
zumbia

na calma sal
pela tarde
O mel do verão

é feito
de um pouco
de eternidade
(p.26).

E o quotidiano instala-se entre as formigas traçam as suas rotas, frágeis, infindáveis, sobre obstinadas folhas de desengano e intriga. E é dos subterrêneos que se desprende a Primavera (ver o poema da p. 40). O silêncio é a mão que une o universo e o tempo.
A dor, essa é a grande personagem que Paulo de Tarso Correia de Melo glosa trata como ferida, imagem, inquietude e flor que na palavra se talha, quando o sofrimento tritura os cânticos selvagens que se evadem sôfregos da luz peregrina onde, na religião ou no despojamento, se acolhe.

A música soa entre o pranto e o medo. Os órgãos meditam sobre os seus tubos de céu e inverno. Na partitura da noite, erguem-se os cálices matutinos. A “ rebelião dos anjos” é algo que há muito se espera nas vozes roucas que asfixiam sob o coração. O que aconteceria se esse minuto exacto não nos despedaçasse, sob os véus de fantasia, sonho e ilusão?

Entre a interrogação e a dor, glosada até ao âmago das lágrimas, desemboca o cristal, no seu âmago mais puro, expresso num dos mais belos poemas que encerram este livro:

ADIVINHAÇÃO

Queria a carne atemporal dos anjos,
que de tão clara não acorda luxúrias,
Foi procurá-la até pelos antros
do imaginário e suas figuras.

Queria os lagos de cristal de antes
do começo da humana aventura.
Atirou-se em pantanosa vizinhança
de fantasia e águas impuras.

Queria os altos voos mais distantes
em azul e transparente lonjura,
sem nuvens e sem ventos inconstantes.

Mergulhou no silêncio, de ora em diante
não há registros ou literatura,
não falam nem vogais nem consoantes
(p. 86)

Lisboa, 26 de Setembro de 2015

 

 

12 Alfredo Pérez AlencartAlfredo Pérez Alencart

 

13 Lectura de Paulo de Tarso Lectura de Paulo de Tarso

14 Intervención de Maria do SameiroIntervención de Maria do Sameiro

 

15 Sameiro, Alencart y Correia de MeloSameiro, Alencart y Correia de Melo

16 Intervención de Alfredo Pérez AlencartIntervención de Alfredo Pérez Alencart

 

 

PRESENTACIÓN DEL POEMARIO ‘SOB O SUMO DO TEMPO / BAJO EL ZUMO DEL TIEMPO’ (KELPS EDITORA, GOIÂNIA, 2015), DE ALICE SPÍNDOLA. TIENE PINTURAS DE MIGUEL ELÍAS Y FOTOGRAFÍAS DE JOSÉ AMADOR MARTÍN

Traducción y prólogo de Alfredo Pérez Alencart

Intervinieron José Amador Martín y Alfredo Pérez Alencart. El libro está dedicado a Pilar Fernández Labrador.

 

18 Alice Spíndola y Pilar Fernández Labrador (2014)Alice Spíndola y Pilar Fernández Labrador (2014)

19 Alice Spíndola en el Centro de Estudios Brasileños (2014)Alice Spíndola en el Centro de Estudios Brasileños (2014)

 

20 José Amador Martín y Alfredo Pérez AlencartJosé Amador Martín y Alfredo Pérez Alencart

 

 

 

RÍOS DE VIDA Y MEMORIA DE CHRONOS

1.

David, el bíblico poeta y rey, ya arrepentido de su abyecto proceder, testimonia la plena entrega al Señor en un hermoso Salmo, reconociendo que nada teme porque tiene Su amparo. Entre otros versos del mismo, quisiera destacar el que dice así: “Junto a aguas de reposo me pastoreará”.

Menciono el sosiego de esas aguas porque si de la poesía de Alice Spíndola se trata, los ríos tienen primacía y conforman las venas centrales de su obra lírica, ríos que pueden llamarse Araguaia, Loira, Tormes o cualquier otro que baña su corazón y le motiva a escribir sentidos versos donde ella se entraña con las aguas y sus misterios, pero también con los parajes por donde discurren esas corrientes que llegan a los mares del mundo. Por ello anota sus afectos, sus vínculos que trascienden continentes, como cuando trata al río que atraviesa Salamanca, camino al Douro lusitano y al frío Atlántico:

Y tú, Tormes, tú susurras,
al puntear los finos hilos
de tu cuerpo líquido.

A los ríos habla, como otros hablan a sus mascotas o animales; como otros hablan o ponen música a sus plantas: los ríos en la vida de Alice; Alice predicando la vida que donan los ríos. Las aguas de los ríos cual remanso y multiplicada plenitud, también estremecimiento y espacio propicio para sus ojos encendidos ante todas las vislumbres. Alice, los ríos, la vida…
2.

En “Bajo el zumo del tiempo” Alice Spíndola entrega porciones de su querencia a los ríos, pero las completa con otra de sus grandes pasiones, cual si fuera sacerdotisa de Chronos, el dios de todas las edades. Se trata del Tiempo, pero no sólo en cuanto a lo eterno o la magnitud de su carácter físico, tal como lo entendemos (intentamos, en vano, lograr lo imposible: guardarlo para después o modificar su transcurso), sino también de ese Tiempo que tiene que ver con el Universo y la rotación de los astros.

La poeta brasileña es todo lo que mira, cierto, pero también es todo lo que siente y presiente: ella se remece en su valioso candor y expresa su postura:

Sostengo la leyenda del Tiempo
heredera de un manantial de horas
que amanecen y anochecen
en un vagar de ritmo inmutable.

Impenetrable
el misterio de los minutos.
Siempre asentada en el Asombro, Alice busca hundirse en lo secreto del Tiempo, no obstante saber que la hora no ha llegado, que el hilo de agua que lleva en el cuenco de sus manos todavía no se ha evaporado.

Así, tras el eco original deben estar las deshoras que nos enseñan a partir.
3.

Pero hay más, mucho más en su obra lírica, en su historial poético:

Detrás del espejo, el rostro,
en la música de fondo
mi propia historia.

Hay sonidos en el agua, en el tiempo, en el amor: hay sueños donde se acomodan las invocaciones y los deslumbramientos; también los deseos que se posan en la piel y que en lo diurno entran en ignición pero no terminan nunca. Hay silencios que son como brújulas: “En la gruta del anochecer/ soy la flor encendida que habita / las nervaduras del silencio”. Y claro, como argamasa de toda su escritura está el amor, qué duda cabe si atendemos la propia confesión de la poeta:

De la alquimia
de mi corazón
desagua inmenso amor.

De nuevo el agua, bombeando amor desde el corazón: Son la Tablas de su Ley y así resulta imposible la asfixia ante las emponzoñadas adversidades cotidianas. Ella dice: “Soplo de la mano/ besos para ti”, y ya no hay despeñamientos pues funciona la memoria del deseo y la esperanza.
4.

Y los homenajes, y las admiraciones: por el libro encontramos textos dedicados a Eugénio de Andrade, León Felipe, António Salvado, Juan Ruiz Peña, Gladys Quiroz de Carcher o Stella Leonardos; citas de Mario Quintana, Antonio Olinto, Joao Cabral de Melo Neto, Miguel de Unamuno, Afonso Felix de Souza, Juan Carlos López Pinto o este escriba. Y una dedicatoria general a Pilar Fernández Labrador, dama de la cultura salmantina. Y una manifestación y/o abrazo a los gemelos de Iberia: España y Portugal. Y la excelencia de la pintura de Miguel Elías y la fotografía de José Amador Martín ilustrando la portada y el interior de esta nueva ofrenda que Alice realiza a la Poesía, sobre la cual se pronuncia así:

Llama
hecha promesa
es todo lo que me queda.

Cuchilla afilada. Este vacío
corta la enlunada luz de mi canto.
5.

Trasvasar versos de un idioma a otro, ofrecer la versión de aquello primero, constituye una nueva creación, pues se logra bajar el puente levadizo que impedía degustar como es debido lo escrito en lengua no conocida.

Eso al menos es lo que he intentado con los poemas de Alice Spíndola, los cuales florecen sencillos como quien da los buenos días. Mientras, ella sigue escanciando sueños y manipulando sus relojes de agua,

entre el mito y la certeza.

Junio y en Tejares (2015)

Alfredo Pérez Alencart
Universidad de Salamanca

21 José Amador MartínJosé Amador Martín

21A

22 Hablando de Bajo el zumo dle tiempoHablando de Bajo el zumo dle tiempo

 

 

23 António Salvado y Alfredo Pérez Alencart (foto de José Amador Martín)António Salvado y Alfredo Pérez Alencart

 

PRESENTACIÓN DE ‘MAIS UMA VEZ AS AVES’
(Fólio Exemplar, Lisboa, 2015), DE ANTÓNIO SALVADO.
PINTURA DE PORTADA DE MIGUEL ELÍAS

Prólogo de Alfredo Pérez Alencart

Intervinieron Alfredo Pérez Alencart y el autor del libro

 

24 António SalvadoAntónio Salvado

 

Foto 24

25 Alfredo Pérez AlencartAlfredo Pérez Alencart

 

26 Salvado mostrando su libro OtoñoSalvado mostrando su libro Otoño

 

 

 

DONACIÓN DEL SECRETO

1.

Podrá haber tristeza, pero nunca desamor. Esta es la clave de la poesía toda de António Salvado, elegíaca y celebratoria a la vez, despertante pero también anclada en los sueños de una realidad posible que los siglos han ido sembrando en la especie humana: Su misión, como poeta, es y será cuidar que florezca nuestro desierto interior, irrigándolo con versos pulidos, llenos de esperanza, aunque el viento parezca fatigado, como los árboles y las aves de ese austero paisaje lusitano donde nació y vive.

2.

Podrá haber dolor, pero también hay formas de afrontarlo, como cuando el poeta albicastrense nos entrega la suya: “Te desvelo el secreto:/ nunca tu corazón/ tiemble ante el dolor”. Muchos vidrios bajos los pies son los que tiene que soportar cada hombre o mujer durante su travesía existencial. También el propio poeta, que es notario y testificante a la vez, aunque Salvado trasciende lo suyo y anota lo que desgarra o hace desfallecer a los prójimos: Y les dona cierto antídoto, o bálsamo al menos.

3.

Podrá haber silencio, como el de las plantas que desafían la gravedad entre el roquerío de las montañas, pero todo conmueve al poeta que observa y siente el latido de lo telúrico y la necesidad de sus congéneres ante las emboscadas de la vida. Contra los ruidos cotidianos; contra el parloteo que castiga nuestros oídos, el poeta aporta sosiego e inaudita verdad en sus silenciosos textos escritos: versos anotados en la sombra para ser flores que se abren de noche o luciérnagas cuando el eclipse sea total. Y respecto a las estridencias, nos dice: “Las palabras de la oración/ no pudieron oírse/ por el ruido de la metralla”.

4.

Podrán ser pocos los poemas: treinta y nueve. Y pocos versos en cada poema: nueve (3+3+3), salvo el treinta y nueve, de sólo tres versos. No se necesita más para decir tanto. Para un balance lírico y existencial, el clásico posmoderno que es António Salvado, sabe que hay que decantar lo que se quiere dejar a modo de inventario: menos es más. Por ello anota: “Me acuerdo: por aquí/ mis pasos dejaron/ quiméricas huellas”.

Todo poeta escribe siempre el mismo poema: la escritura es circular, como la sangre en nuestro cuerpo. Así también este grande autor llamado António Salvado, siempre escribiendo lo mismo de forma tan diferente, reuniendo su desnudez y la de todos, dando cuenta de nuestros dolores y estrujantes fracasos, es cierto, pero también del excesivo amor que lo convierte en lo que es, un ser lleno de ternura, un hombre que no ha gastado su savia en contiendas inútiles. Y siempre el amor; y siempre la esperanza: “Mejor que reflexionar/ es soñar con la luz/ que brilla en la esperanza”.

O También, en el poema que da título a este libro: “Una vez más las aves, compañeras/ de mi silencio, cuando cierro los ojos/ me dicen que, reluciente, amaneció el día”. He aquí lo más diáfano del secreto.

 

A. P. Alencart

27 Alencart mostrando el nuevo poemarioAlencart mostrando el nuevo poemario de Antonio Salvado

 

28 Intervención de Alfredo Pérez Alencart Antonio Salvado

 

 

 

 

PRESENTACIÓN DEL LIBRO ‘MOTIVOS AJENOS / RESIDUOS’
(LINTEO, ORENSE, 2015),
DE ÁLVARO ALVES DE FARIA

Traducción de Montserrat Villar

 

 

Intervinieron Jorge Fragoso, Montserrat Villar, Antonio Colinas y el autor. La lectura de poemas en español estuvo a cargo de Elena Díaz Santana, Mª Ángeles Gutiérrez Tábara, Sofía Montero y Mª del Carmen Prada Alonso (Colaboración especial de la Asociación Pentadrama).

29 Jorge Fragoso, Álvaro Alves de Faria, Antonio Colinas y Montserrat VillarJorge Fragoso, Álvaro Alves de Faria, Antonio Colinas y Montserrat Villar

30 Faria y ColinasFaria y Colinas

 

31 Colinas Villar y Faria (Foto de José Amador Martín)Colinas Villar y Faria

 

 

 

MOTIVOS ALHEIOS

Os motivos são sempre alheios,
no corte, na mesa,
na poltrona onde pousa a revista inanimada
e os braços pendem para a morte.
Os motivos são sempre alheios,
palavra escondida
atrás da xícara,
onde o lábio deixa os dentes
e a boca inventa
sílabas frias como o sopro.
Os motivos são sempre alheios,
como os olhos que desvendam
e transformam os segredos
e se deixam vestir de terra
entre a pétala e o cimento.
São sempre alheias as circunstâncias,
não nos cabe responsabilizar,
nem discutir.
Os motivos são alheios
à nossa vontade,
um ato em palco aberto,
boca escancarada para dentro do tempo.
Dormem os insetos nas solas dos sapatos,
luas se derramam pelas paredes
e peixes nadam alucinados
contra as pedras de sal.
O aquário é tão grande quanto o oceano,
o argumento se desfaz
contrário à vontade e aos motivos.
Somos alheios a este fato,
o motivo fala mais alto
nas gargantas de cristal.
Os motivos são alheios sempre alheios
à vontade do próximo:
o que vale é a postura que imacula o momento
e transforma a cena numa verdade
em que todos passamos a acreditar.

 

32 Villar Colinas y FariaVillar Colinas y Faria

 

33 Montserrat VillarMontserrat Villar

 

 

 

MOTIVOS AJENOS

Los motivos son siempre ajenos,
en las formas, en la mesa,
en el sillón donde reposa la revista inanimada
y los brazos cuelgan hacia la muerte.
Los motivos son siempre ajenos,
palabra escondida
detrás de la taza,
donde el labio deja los dientes
y la boca inventa
sílabas frías como un soplo.
Los motivos son siempre ajenos,
como los ojos que desvendan
y transforman los secretos
y se dejan vestir de tierra
entre el pétalo y el cemento.
Son siempre ajenas las circunstancias,
no nos corresponde responsabilizar,
ni discutir.
Los motivos son ajenos
a nuestra voluntad,
un acto en un escenario abierto,
boca abierta hacia el interior del tiempo.
Duermen los insectos en las suelas de los zapatos,
lunas se derraman por las paredes
y peces nadan alucinados
contra las piedras de sal.
El acuario es tan grande como el océano,
el argumento se deshace
contrario a la voluntad y los motivos.
Somos ajenos a este hecho,
el motivo habla más alto
en las gargantas de cristal.
Los motivos son ajenos, siempre ajenos
a la voluntad del prójimo:
lo que vale es la postura que purifica el momento
y transforma la escena en una verdad
en la que todos acabamos por creer.
34 Antonio Colinas

Antonio Colinas

34 Jorge FragosoJorge Fragoso

 

 

35 Álvaro Alves de FariaÁlvaro Alves de Faria

 

36 Fragoso, Faria y ColinasFragoso, Faria y Colinas

37 Elena Díaz Santana Elena Díaz Santana

 

38 Carmen Prada AlonsoCarmen Prada Alonso

 

39 Sofía Montero Sofía Montero

40 Mª Ángeles Gutiérrez TábaraMª Ángeles Gutiérrez Tábara

41 Elena Díaz y Antonio Colinas (Foto de José Amador Martín)Elena Díaz y Antonio Colinas

42 Otra imagen del grupo de autores, traductores y presentadoresOtra imagen del grupo de autores, traductores y presentadores

 

 

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